São Paulo - Mestrado: Metodologia do Trabalho Científico
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São Paulo - Mestrado: Metodologia do Trabalho Científico
Módulo de:
Metodologia do Trabalho Científico
Docente: Paulo Mendes Pinto
Objectivos:
Com esta cadeira pretende-se que os alunos compreendam algumas linhas essenciais da construção da religião como objecto científico, alertando-os ara alguns problemas nesse percurso, preconceitos que devemos ter em conta.
Assim, os alunos deverão ficar na posse das ferramentas para poder definir que é a o pensamento científico na análise do fenómeno religioso, estando conscientes da necessidade de adoptar práticas comuns e validadas, métodos, para a realização de trabalhos credíveis e válidos.
Sumário sintético:
1. Porquê estudar as religiões?
2. A evolução do olhar sobre as religiões
3. O campo disciplinar as Religiões
4. Metodologia: porquê?
1 - Porquê estudar as religiões?
1. O estruturante afastamento do Ocidente às religiões
a. O Positivismo e a ideia e Progresso
b. As nascentes Sciencias Sociais e Hummanas
c. A ideia de genealogia, de negação a religião
d. O fechamento da Igreja Católica
i. O Concílio Vaticano I
ii. A Infalibilidade Papal
iii. Culto Mariano (de Lourdes a Fátima)
e. O fim do Antigo Regime em 1917
f. A religião remetida para a esfera do individual
2. A inabilidade face ao religioso
a. Movimentos que obrigaram a repensar o “regresso do religioso”
i. Maio de 68
ii. Movimentos radicais americanos e japoneses
iii. Vaticano II
iv. Papa e os media
v. O Dalai Lama
vi. 9/11
b. As Leis da Liberdade Religiosa
c. A Constituição / Tratado Europeu
d. A querela dos símbolos
3. A necessidade do estudo das religiões
a. A nova dimensão mediática: religião, violência & conflito
b. Os agentes decisores
4. Quem precisa de saber sobre religiões?
a. Diplomacia
b. Estratégia
c. Economia
d. Os Religiosos
e. … uma Ética Global … a cidadania
2 - A evolução do olhar sobre as religiões
1. A antiguidade relativa das palavras
a. Re-ligare e Cícero
b. O que queria dizer «religião» no século XVI…
c. Monoteísmo e politeísmo
d. Migração
e. Discriminação / identificar / separar
2. A criação do “outro”
a. A luta contra a expansão do Islão
i. A Canção de Rolando
ii. Carlos Magno
iii. A Ideia de Cristandade
iv. Santuários agregadores:
Vazely
Covadonga
Santiago e Compostela
b. As cruzadas
i. A noção de guerra justa
ii. 1096
iii. 1146 – Bernardo de Claraval
c. Latrão II / IV
i. A criação das judiarias
ii. O fim da tolerância religiosa
d. Os chamados “Descobrimentos/Expansão europeia”
i. Renascimento e centralidade do Homem
ii. A descoberta e que, afinal, há mais gente no mundo
iii. Os gentios têm alma?
iv. Descobrir as línguas para evangelizar
v. Primeiros aspectos de tolerância
3. A ideia do Bom Selvagem
a. O re-encontro com uma noção de pureza original
b. O índio como modelo
c. A negação da civilização?
d. O tempo da Utopia
4. A lógica cartesiana
a. Espinosa e a primeira crítica à religião
b. … mas a busca das Leis Universais
c. A Justiça como imanência de Deus
d. … e o governo?
e. A conciliação: a Maçonaria
i. A Revolução Francesa
ii. A independência dos EUA
5. Anti-clerialismo
a. Iluminismo e a perseguição de certas Ordens Religiosas
b. O problema da Educação
i. As metáforas do jardineiro
ii. Quando é que todos são todos?
iii. O milagre judaico e protestante
c. A crescente laicização dos Estados – a Revolução Liberal
6. Positivismo - A religião como arma
a. A noção de conhecimento positivo
b. A hierarquização dos saberes
c. A questão do futuro
d. As leituras buçais
e. O Materialismo histórico
f. O Republicanismo e o Socialismo
7. O nascimento do estudo das religiões
3 - O campo disciplinar as Religiões
1. Ciência(s) da(s) Religião(ões)… em que ficamos?
2. Um saber ou um campo que reúne saberes?
3. A reunião de saberes num Observatório?
4. A equidistância
5. O respeito
4 - Metodologia: porquê?
1. Método e organização pessoal
a. Ajuda na definição de objectivos
b. … na definição de tema
c. … na conclusa de objectivos e na redacção
2. Respeito pelo leitor
a. O leitor tem que poder saber o que fez
b. O leitor tem que poder seguir o mesmo percurso
c. O leitor te que poder contestar os resultados
3. Validação
a. A noção de Ciência implica a validação pelos pares que podem avaliar o trabalho
b. Essa validação é a imagem a transparência do trabalho científico
4. Superação
a. Todo o trabalho deve ser superado
b. O trabalho que é superado deve já conter em si o gérmen que possibilita a outros essa superação
5. Inserção
a. O trabalho em equipa
b. Usar os mesmos códigos facilita a troca de informação
c. Criar “amizades” e não “inimizades”…
6. Desejo de crescimento
NOTA: na sessão de 8 de Novembro falámos apenas do ponto 4 deste programa.
Metodologia do Trabalho Científico
Docente: Paulo Mendes Pinto
Objectivos:
Com esta cadeira pretende-se que os alunos compreendam algumas linhas essenciais da construção da religião como objecto científico, alertando-os ara alguns problemas nesse percurso, preconceitos que devemos ter em conta.
Assim, os alunos deverão ficar na posse das ferramentas para poder definir que é a o pensamento científico na análise do fenómeno religioso, estando conscientes da necessidade de adoptar práticas comuns e validadas, métodos, para a realização de trabalhos credíveis e válidos.
Sumário sintético:
1. Porquê estudar as religiões?
2. A evolução do olhar sobre as religiões
3. O campo disciplinar as Religiões
4. Metodologia: porquê?
1 - Porquê estudar as religiões?
1. O estruturante afastamento do Ocidente às religiões
a. O Positivismo e a ideia e Progresso
b. As nascentes Sciencias Sociais e Hummanas
c. A ideia de genealogia, de negação a religião
d. O fechamento da Igreja Católica
i. O Concílio Vaticano I
ii. A Infalibilidade Papal
iii. Culto Mariano (de Lourdes a Fátima)
e. O fim do Antigo Regime em 1917
f. A religião remetida para a esfera do individual
2. A inabilidade face ao religioso
a. Movimentos que obrigaram a repensar o “regresso do religioso”
i. Maio de 68
ii. Movimentos radicais americanos e japoneses
iii. Vaticano II
iv. Papa e os media
v. O Dalai Lama
vi. 9/11
b. As Leis da Liberdade Religiosa
c. A Constituição / Tratado Europeu
d. A querela dos símbolos
3. A necessidade do estudo das religiões
a. A nova dimensão mediática: religião, violência & conflito
b. Os agentes decisores
4. Quem precisa de saber sobre religiões?
a. Diplomacia
b. Estratégia
c. Economia
d. Os Religiosos
e. … uma Ética Global … a cidadania
2 - A evolução do olhar sobre as religiões
1. A antiguidade relativa das palavras
a. Re-ligare e Cícero
b. O que queria dizer «religião» no século XVI…
c. Monoteísmo e politeísmo
d. Migração
e. Discriminação / identificar / separar
2. A criação do “outro”
a. A luta contra a expansão do Islão
i. A Canção de Rolando
ii. Carlos Magno
iii. A Ideia de Cristandade
iv. Santuários agregadores:
Vazely
Covadonga
Santiago e Compostela
b. As cruzadas
i. A noção de guerra justa
ii. 1096
iii. 1146 – Bernardo de Claraval
c. Latrão II / IV
i. A criação das judiarias
ii. O fim da tolerância religiosa
d. Os chamados “Descobrimentos/Expansão europeia”
i. Renascimento e centralidade do Homem
ii. A descoberta e que, afinal, há mais gente no mundo
iii. Os gentios têm alma?
iv. Descobrir as línguas para evangelizar
v. Primeiros aspectos de tolerância
3. A ideia do Bom Selvagem
a. O re-encontro com uma noção de pureza original
b. O índio como modelo
c. A negação da civilização?
d. O tempo da Utopia
4. A lógica cartesiana
a. Espinosa e a primeira crítica à religião
b. … mas a busca das Leis Universais
c. A Justiça como imanência de Deus
d. … e o governo?
e. A conciliação: a Maçonaria
i. A Revolução Francesa
ii. A independência dos EUA
5. Anti-clerialismo
a. Iluminismo e a perseguição de certas Ordens Religiosas
b. O problema da Educação
i. As metáforas do jardineiro
ii. Quando é que todos são todos?
iii. O milagre judaico e protestante
c. A crescente laicização dos Estados – a Revolução Liberal
6. Positivismo - A religião como arma
a. A noção de conhecimento positivo
b. A hierarquização dos saberes
c. A questão do futuro
d. As leituras buçais
e. O Materialismo histórico
f. O Republicanismo e o Socialismo
7. O nascimento do estudo das religiões
3 - O campo disciplinar as Religiões
1. Ciência(s) da(s) Religião(ões)… em que ficamos?
2. Um saber ou um campo que reúne saberes?
3. A reunião de saberes num Observatório?
4. A equidistância
5. O respeito
4 - Metodologia: porquê?
1. Método e organização pessoal
a. Ajuda na definição de objectivos
b. … na definição de tema
c. … na conclusa de objectivos e na redacção
2. Respeito pelo leitor
a. O leitor tem que poder saber o que fez
b. O leitor tem que poder seguir o mesmo percurso
c. O leitor te que poder contestar os resultados
3. Validação
a. A noção de Ciência implica a validação pelos pares que podem avaliar o trabalho
b. Essa validação é a imagem a transparência do trabalho científico
4. Superação
a. Todo o trabalho deve ser superado
b. O trabalho que é superado deve já conter em si o gérmen que possibilita a outros essa superação
5. Inserção
a. O trabalho em equipa
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c. Criar “amizades” e não “inimizades”…
6. Desejo de crescimento
NOTA: na sessão de 8 de Novembro falámos apenas do ponto 4 deste programa.
Última edição por Paulo Mendes Pinto dia Seg Nov 10, 2008 5:56 am, editado 1 vezes
Paulo Mendes Pinto- Admin
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Avaliações
Caros alunos,
Relembro os pontos da avaliação:
- Até Janeiro (dia 9): entrega do resumo crítico do artigo de Steffen Dix na Revista Lusófona de Ciência das Religiões.
................ entrega aqui no fórum dentro deste tópico
- Até final de Fevereiro: entrega do trabalho com base no livro de Frank Usarski (Constituintes da Ciência da Religião, das Edições Paulinas)
................ entrega em papel
Bom trabalho a todos,
Paulo Mendes Pinto
Relembro os pontos da avaliação:
- Até Janeiro (dia 9): entrega do resumo crítico do artigo de Steffen Dix na Revista Lusófona de Ciência das Religiões.
................ entrega aqui no fórum dentro deste tópico
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Regras para registos bibliográficos
Caros alunos,
Não se esqueçam que, para registos bibliográficos, devem seguir as regras que encontram na Revista Lusófona de Ciência das Religiões:
http://cienciareligioes.ulusofona.pt/revista_ciencia%20das%20religioes_normas.htm
Bom trabalho,
Paulo Mendes Pinto
Não se esqueçam que, para registos bibliográficos, devem seguir as regras que encontram na Revista Lusófona de Ciência das Religiões:
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Bom trabalho,
Paulo Mendes Pinto
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Prazos e fases para a elaboração das dissertações
Caros alunos,
Como combinado, aqui ficam indicados os prazos para a entrega (por e-mail) dos pré-projectos de tese:
- Pré-projecto (1ª versão): Março de 2009 (fim do mês)
- 1ª versão do Projecto (ainda para ser discutida): Setembro de 2009 (fim do mês)
Bom trabalho a todos,
Paulo Mendes Pinto
Como combinado, aqui ficam indicados os prazos para a entrega (por e-mail) dos pré-projectos de tese:
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Telf. da Un.Lusófona:
+ 351 21 751 55 00
Secretariado da direcção:
Magda Cruz (ext.2175)
Director do curso:
Paulo Mendes Pinto
e-mail: pmp@ulusofona.pt
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trabalho com base no livro de Frank Usarski
Por favor, estou em dúvida quanto ao trabalho em epígrafe. É uma resenha crítica??

SOLON DINIZ CAVALCANTI- Mensagens: 2
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Resumo crítico artigo Steffen Dix
Paulo Mendes Pinto escreveu:Caros alunos,
Relembro os pontos da avaliação:
- Até Janeiro (dia 9): entrega do resumo crítico do artigo de Steffen Dix na Revista Lusófona de Ciência das Religiões.
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UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TECNOLOGIAS
MESTRADO CIÊNCIA DAS RELIGIÕES
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO
PROFº. PAULO MENDES PINTO
24 DEZ. 2008
JOSÉ RICARDO DE OLIVEIRA
RESENHA: ESTUDO DAS RELIGIÕES - RESPEITO INTERDISCIPLINAR PELA LIBERDADE DO DIREITO A FÉ.
DIX, Steffen. O que significa o estudo das religiões - uma ciência monolítica ou interdisciplinar. Revista Lusófona de Ciência das Religiões – Ano VI, 2007/n. 11 – 11-31. Portugal, Lisboa: Editorial Steffen.qxp, 2007.
O autor Stefen Dix alerta para o estudo detalhado e o compromisso exigido por todos aqueles que defendem a pregação e a educação religiosas como expoente de salvação e estudos teológicos a contar com a ética e a moral dentre a diversidade de conceitos explicitados por estudiosos da religião.
Aponta algumas idéias que determinaram pensamentos filósofos afastadas dos conceitos teológicos em que as suas exposições conceituais e doutrinas, observações e a falta do compromisso com a fé mergulhada no materialismo para evidenciar a negação da fé embelezando com premissas fundamentadas em conceitos estritamente materiais como as formações sócio-econômicas mostrando e insistindo com provas seculares a dissociação homem versus fé, assim sendo, promovendo o acolhimento quase que integral por determinadas sociedades influenciáveis pelas palavras implícitas nessas antipropagadas teológicas. Favorecendo, pois o afastamento e uma confusão entre o tempo cronológico e o psicológico do sujeito, obrigatoriamente tornando os fatos historicamente verdadeiros marginais, fora de contextos e mais uma vez deturpando e marginalizando a necessidade do homem em permanente procurar do alento aos apuros espirituais em busca de Deus pela fé.
A reconquista do sujeito pelo Ministério da Palavra sublima o anacronismo e retoma a posição de pregar para resgatar e restabelecer traços fidedignos aos desígnios da fé em detrimento da religião.
A renovação do sujeito em sua crença em Deus e na imortalidade da alma. As teorias filosóficas analisadas em Kant e Copérnico evidenciam a instabilidade emocional do sujeito em relação ao Ser e do deve ser, ou seja, a dicotomia entre a razão, pensamento material do homem e a alma integralizada à divindade celeste. O iconoclasta e a subjetividade da fé.
O empirismo religioso é citado como base de uma influência estética, aponta a influência de Bacon na obra de Hume sobre o pensamento ético religioso concorrendo para o racionalismo que se auto-analisa, responde em sua própria insustentável consistência uma discrepância entre a inteligência e a fé, ao ponto desse racionalismo religioso, se é que pode existir, foi repudiado como materialismo filosófico ou pensamento ateu.
É importante a menção sobre os segmentos teóricos do ceticismo de Hume. A teoria racionalista ou o empirismo não foram absurdos filosóficos para aquele momento e sim um avanço no pensamento da razão, as duas linhas de conduta de Humes, asseguram similaridade aos conceitos modernos da antropologia, sociologia e psicologia onde a fé serve aos fracos de pensamento como atribuição à cura e ao alento dos medos e tormentos da alma aludindo assim a imortalidade do espírito.
A idéia do racionalismo de Hume serviu de leitura para análise do radicalismo luterano de Kant, o qual questionava a moral e ética religiosa, atribuindo o ridículo e incongruência da compreensão do comportamento praticado no cristianismo católico, as interpretações das primitivas leis morais que antecipavam a conduta da religião.
Apesar de Kant impedido de dissertar sobre a metafísica e a moral religiosa, admitia a fé e a imortalidade da alma, no códice moral da religião primitiva influenciando, no entanto, que o entendimento do pecado levava à busca da punição para a remissão do sujeito.
O estudo das religiões depois de filósofos como Kant, Rousseau, passou por pesquisas históricas tentou-se criar um método compreensivo de leitura e entendimento, os padrões sempre pautados em leis morais deístas sublimam o pensamento humano, a qual fortalece a história sociológica e antropológica interagindo com o objeto de estudo religiões que se deslocam geograficamente, mas mantém uma ponte harmoniosa de compreensão com a fé.
O mais intrigante para os estudiosos é o contexto que venha ser verdade ou FÉ Verdadeira, pois resgata desde a crença humana, os códices e os fenômenos tecnológicos como narrativas das elucubrações, a linguagem escrita, cuneiformes, ou criptográficas interagindo com a lingüística e a fonética.
Através das observações e estudos seculares sobre a religião e a interdisciplinaridade do contexto a acadêmicos intelectualizados, teólogos e doutores aceitaram a proposta que a religião e seus ritos concentram um poder intersocial no qual há verdadeira composição da vida comunitária, e a fé favorece a vida coletiva como formadora de leis morais e códigos éticos onde o respeito parte de um único viés, Deus, seja o deus totêmico ou Deus cristão.
É verdadeira a proposta que a religião agrega em seus rituais a comunidade formando a igreja e conceitua as leis morais e éticas definindo a sociedade ali concentrada pela fé. Acentuando laços afetivos e de respeitos comuns. A religião em sua comunidade formada estabelece e promove também o poder político e a eventual classificação sócio-econômica do líder.
É cabido ao estudioso da religião observar as várias definições existentes para justificar congregações e ajuntamento de pessoas que defendem um padrão e pensamento ritualista sem exigir uma definição objetiva ou científica do processo de crença.
Os teólogos iluministas excitaram na comunidade secular mecanismos racionalistas até margeando o ateísmo estrutural, ou seja, do pensamento sem a comprovação exata da fé ou estrita razão de existir do sujeito.
No decorrer dos séculos, os pensadores também não evidenciaram concretamente o momento em que a sociedade influenciada pela elucubração materializada no poder de se auto construir, descartaram de todo a necessidade do sujeito em se abster de um movimento que desse alento as suas instabilidades emocionais.
Conclui-se, portanto que a investigação dos estudiosos da religião, tem como objeto de estudo o aspecto comum da fenomenologia do processo de congregação, formação imaginária do interesse coletivo que é a máquina propulsora para uma vertente que inspira segurança, verdade e fé.
Desta feita, a interdisciplinaridade da formação no estudo da religião deve encarar o processo de construção da sociedade pelo bem comum e a fé como característica da lei que determina as questões éticas e morais dessa igreja. O respeito pelas mais diversas opções de formação coletiva pela fé é fundamentada no acolhimento daquele processo de verdade revelado, seja ele no processo totêmico como na Austrália, rupestres como na França ou a sociedade pré histórica, podendo citar a mística indígena brasileira, retomando a mítica na a greco-romana, ou iconoclasta como a ocidental cristã romana.
Observando-se a composição imaginária da fé os componentes se asseguram pelas leis que regem suas necessidades psicológicas de carências emocionais, econômicas e políticas dentro da sociedade estabelecida como comunidade, portanto as teorias sobre o estudo da religião se rompem como uma bruma ao se perceber a insatisfação do sujeito e a migração de uma para outra igreja ou comunidade com a finalidade de encontrar-se em suas necessidades e apoio buscando alento em uma outra teoria ou prática religiosa a outra, o que leva a essa mudança não é apenas a formulação dos conceitos, mas a necessidade de segurança espiritual atribuída à religião a qual está disposto vivenciar.
Conclui-se que: discutir o estudo da religião é fundamental o entendimento da necessidade humana em sua formação social, pois a questão da fé não é fato isolado e pertence ao imaginário coletivo, seja uma verdade apara aquele grupo ou uma ilusão, mas toda a formação que busca a integralização de um ser fictício ou real, uma propagação de despojamento emocional pela crença merece uma análise interdisciplinar entre fatores antropológicos, sociológicos, psicológicos, pedagógicos e filosóficos, para que não se concorra a uma situação de inverdades ou conclusões cognitivamente simples sobre a necessidade do homem em ter fé, se purificar na fé e seguir os mandamentos dogmáticos pela fé.
Observar, discutir, estudar sem ser tendencioso às teorias ortodoxas.
Realmente a criação de pensamentos divergentes dentro de um mesmo grupo leva ao estudo e observações para melhor conceituar o grau de envolvimento entre a sociedade que forma uma determinada igreja, mas o que merece cuidado maior é a disseminação de vários conceitos e divergências conceituais que levam ao rompimento e criação de nova igreja, nova doutrina será aplicada, assim sendo várias vertentes tem surgido dentro de uma mesma religião, cabe aos estudiosos da ciência da religião acompanhar e traçar normas que se mostrem fiéis ao conceito filosófico.
O estudo da religião já apreciou a pluralidade das idéias religiosas, seus ícones, doutores e cientistas, mas a interdisciplinaridade da ciência que estuda as religiões não pode se basear apenas em questionar os métodos científicos, onde se prova através de premissas a divindade, o misticismo, a seita, a estrutura da formação da igreja, a bagagem de fé e compromisso dogmático, imposto pela formação da religião cartesiana, mas sim levar ao homem moderno, carente de emoções, de cura da alma, esperança em um ser supremo, a mais difícil das tarefas da ciência da religião é modernizar a linguagem, fazer valer o poder da comunicação e viabilizar experimentos empíricos, onde sublima a razão em detrimento da emoção.
Os estudos seculares provem raciocínios filosóficos questionáveis em relação as explicações plausíveis, inteligíveis, porém quando o pensador não mais encontram explicações para justificar suas idéias de combate às realidades teológicas, sejam empíricas, sejam materialistas, ou mesmo atéias, atribuem a culpa ao sujeito, depois ao meio e posteriormente exacerbam seus discursos com acusações e aspectos negativos da formação das igrejas. Textualizam a questão estrutural do homem, a necessidade de convivência em grupo. Faz-se o possível para determinar os conceitos sempre pós moderno do imaginário e do coletivo imaginário, pouco sãos que abordam o tema como milagre do silêncio criador da palavra, a fé.
Analisando a contextualização de um filósofo da religião nem sempre está universaliza as mudanças e as necessidades do homem e ou da comunidade religiosa, pulsa apenas o declarar cientificista da religião é permitido concordar que o homem criou deus, em se tratando da concepção teológica do credo, da fé, onde o teólogo segue os desígnios da verdadeira Palavra, acredita-se mais fielmente que Deus matou o filósofo.
Abraços.

J. R. OLIVEIRA- Mensagens: 1
Data de inscrição: 10/11/2008
Idade: 47
Localização: Cascavel/Pr - BRA
RESUMO CRITICO DE STEFFEN DIX - Por Sérgio Siani - SP Brasil
Tenho uma má noticia pro Steffen Dix. A pregação e a educação religiosa não salva ninguém, como ele afirma no seu primeiro parágrafo.
E também a moral e a ética, gosto de acreditar que elas existam em qualquer estudo e não só no teológico.
Este texto rebuscado de termos academicos impressiona pelo seu formato e decepciona pelo seu conteúdo.
Pareceu mais um filósofo frustrado por tentar estudar a Deus e não conseguir.
E aí tenho uma outra má noticia pro Dix, não dá pra estudar a Deus.
Podemos estudar seus feitos, suas obras e sua obra prima: o homem.
Mas como nossa mente finita pode estudar algo infinito ?
Querer entender a Deus é uma pretensão sem cabimento, que vai levar a textos como este, que fala muito e não diz nada.
No segundo parágrafo Dix mistura fé e materialismo, a mistura doida continua falando do tempo cronológico e o psicológico do sujeito, dizendo que são coisas desconectadas. Ai não tem outro jeito a não ser recomendar que que ele vá conhecer alguma igreja evangélica antes de falar essas bobagens.
A mistura segue no quarto parágrafo quando se põe a falar do Ministério da Palavra x Religião, onde fala se anacronismo.
Apenas para deixar claro:
Definição. Anacronismo é a tendência da consciência em viver de maneira incoerente com a sua época.
Espero que eu não tenha entendido bem, pois pelo que entendi ele dá mais importância a religião do que do ministério da palavra.
E o show de valores errados e conceitos distorcidos seguem em todos os parágrafos do texto, mas confundindo do que esclarecendo, e pior não chegando em lugar algum.
Chega ao absurdo de no parágrafo quinto mencionar que existe uma discrepância entre a Inteligência e a Fé. Então só pessoas burras tem fé? Continua a dizer no parágrafo décimo sétimo que a fé é característica da lei. Que lei ?
O show de besteirol continua até ele dizer algo que não se devia dizer nem de brincadeira: Que o homem criou a Deus.
E Dix conclui dizendo que Deus matou o filósofo. Apesar de eu achar que Ele não matou os filósofos, acredito que se tivesse isso, a humanidade não teria sentido diferença.
E também a moral e a ética, gosto de acreditar que elas existam em qualquer estudo e não só no teológico.
Este texto rebuscado de termos academicos impressiona pelo seu formato e decepciona pelo seu conteúdo.
Pareceu mais um filósofo frustrado por tentar estudar a Deus e não conseguir.
E aí tenho uma outra má noticia pro Dix, não dá pra estudar a Deus.
Podemos estudar seus feitos, suas obras e sua obra prima: o homem.
Mas como nossa mente finita pode estudar algo infinito ?
Querer entender a Deus é uma pretensão sem cabimento, que vai levar a textos como este, que fala muito e não diz nada.
No segundo parágrafo Dix mistura fé e materialismo, a mistura doida continua falando do tempo cronológico e o psicológico do sujeito, dizendo que são coisas desconectadas. Ai não tem outro jeito a não ser recomendar que que ele vá conhecer alguma igreja evangélica antes de falar essas bobagens.
A mistura segue no quarto parágrafo quando se põe a falar do Ministério da Palavra x Religião, onde fala se anacronismo.
Apenas para deixar claro:
Definição. Anacronismo é a tendência da consciência em viver de maneira incoerente com a sua época.
Espero que eu não tenha entendido bem, pois pelo que entendi ele dá mais importância a religião do que do ministério da palavra.
E o show de valores errados e conceitos distorcidos seguem em todos os parágrafos do texto, mas confundindo do que esclarecendo, e pior não chegando em lugar algum.
Chega ao absurdo de no parágrafo quinto mencionar que existe uma discrepância entre a Inteligência e a Fé. Então só pessoas burras tem fé? Continua a dizer no parágrafo décimo sétimo que a fé é característica da lei. Que lei ?
O show de besteirol continua até ele dizer algo que não se devia dizer nem de brincadeira: Que o homem criou a Deus.
E Dix conclui dizendo que Deus matou o filósofo. Apesar de eu achar que Ele não matou os filósofos, acredito que se tivesse isso, a humanidade não teria sentido diferença.

srsiani- Mensagens: 1
Data de inscrição: 03/01/2009
Idade: 41
RESENHA DO TEXTO DE STEFFEN DIX
UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TECNOLOGIAS
MESTRADO CIÊNCIA DAS RELIGIÕES - Turma de São Paulo
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO
PROFº. PAULO MENDES PINTO
Aluno: Solon Diniz Cavalcanti
8 de janeiro de 2009
O que significa o estudo das religiões, uma ciência monolítica ou interdisciplinar? É assim que Steffen Dix nomeia o seu ensaio na Revista Lusófona de Ciência das Religiões.
O trabalho do autor é uma tentativa bem sucedida de demonstrar que a religião não traz em seu bojo uma compreensão equivocada, como se fosse um “fenómeno anacrónico ou marginal que já não pode despertar muito interesse no quotidiano ou influenciar a vida pública numa sociedade moderna”, usando o próprio texto de Dix.
Mostra-nos que o reaparecimento de alguns assuntos religiosos nas modernas sociedades européias causou surpresa até mesmo para os defensores da secularização da religião. E como a questão é relevante para os meios de comunicação, o autor sugere dois problemas sobre o conhecimento. Primeiro uma idéia errônea sobre a possibilidade de que partes da humanidade viveram em alguma época um mundo completamente secularizado, como se em alguma época a religião tivesse desaparecido completamente. Em segundo a dificuldade semântica. Como diferenciar um assunto religioso ou sobre uma religião. Conseguir separar a perspectiva interior, confessional, subjetiva, que impede a discussão plural e pública da religião, e mesmo a abordagem científica, da perspectiva exterior.
O objetivo do autor é apresentar a perspectiva exterior da religião. O conhecimento do fenômeno sob uma retórica cientifica, uma abordagem comparativa e histórica dos acontecimentos religiosos.
Logicamente que o autor não pretende em um ensaio esgotar este milenar conhecimento, mas, defender as bases da legitimidade e a importância cognitiva de uma posição imparcial que possibilite comparar sistematicamente as religiões em seus contextos sociais e históricos. O estudo da religião como um produto cultural.
Passeando pela história filosófica, Dix apresenta um rico panorama histórico do estudo das religiões. Começando pelos fundadores da filosofia na chamada Escola Jônica, saltando para o período renascentista onde o elenco consta os nomes dos notáveis pensadores humanistas François Rabelais, Thomas More ou Erasmus de Roterdão, ou nos chamados neo-platónicos tais como Georgios Gemistos Plethon, Marsilio Ficino ou Giovanni Pico della Mirandola, que segundo o autor apresentam um “interesse não-teológico por questões religiosas”.
Revela-nos ainda, que, todavia, o estudo sistemático da religião principia mesmo em “Thomas Hobbes ou em Espinosa, e sobretudo na filosofia iluminista do século XVIII”, embora David Hume tenha sido entre os primeiro a falar sobre a religião fora da teologia, em sua obra Natural History of Religion (1757).
O professor Dix também destaca a importância de Kant que teria dado os pressupostos para uma capacidade racional para pesquisar e questionar a ética ou a moral de uma religião através de métodos racionais.
O ensaio de Steffen Dix adentra o Iluminismo e chega ao século XXI com muita desenvoltura, mostrando a eficiência do conhecimento religioso e a sua importância nos aspectos sociais da humanidade. Mostra a superioridade do culto sobre o mito, a história religiosa da perspectiva exterior sobrepondo-se a perspectiva interior e chama a atenção para a coesão social possibilitada pelo conhecimento religioso.
Em verdadeira apologia da Ciência da Religião, Dix refuta a “fenomenologia da religião” como cientificamente problemática e, Classifica o Estudo da Religião em convicções, práticas ou ritos e a sociedade que corresponde a estas convicções e práticas. Assim, muitas respostas podem ser dadas através do sistema de crenças e simbologias religiosas.
A Ciência da Religião é vista através dos olhos de Dix como uma reflexão eurocêntrica, pois, está relacionada a expansão colonial da Europa e o contato com cultura alheias, em comparação direta ou indireta das culturas de origem. Portanto, não apenas o objeto da pesquisa, mas, quem pesquisa deveriam ser ao mesmo tempo e nível objetos de reflexão.
Dix, em breves páginas, mas, com muita riqueza de citações e exemplos de pensadores brilhantes que ajudam a enriquecer a história da humanidade, demonstra que o conhecimento da religião como acervo cultural antropológico, sociológico, psicológico, histórico, enfim, como parte inerente do homem não pode ser simplesmente ignorado. Porem o que fica claro no texto de Dix é que a Ciência das religiões se propõe a não se imiscuir nos objetos da fé, do que é a verdade no seu aspecto interior, da experiência. O Estudo das Religiões no modelo cientifico busca desvendar o lado humano e social da fé religiosa, e isto “per si” já é suficiente para motivar o leitor a se interessar pelo tema. Mas ultrapassando a questão religiosa, avança como instrumento de clareza da vida, vida que não ignora o fenômeno da religiosidade e o debate através dos diversos mecanismos de comunicação.
As freqüentes mudanças da sociedade acabam por mudar as religiões, e segundo Steffen “O grande desafio contemporâneo da ciência das religiões consiste na reacção adequada a estas mudanças.” E mais, tornar legíveis as atividades ou atos religiosos, e a interação entre os distintos grupos, e tudo isto depende de uma ação interdisciplinar. Para uma sociedade moderna, plural e relativista, uma ciência que seja capaz de explicar a vida através da relação mais permanente entre os homens, a religião.
O ensaio de Steffen Dix é motivador e revolucionário, é iconoclasta para usar um termo do ambiente da Ciência da Religião, e não há como se manter indiferente a tantas possibilidades de conhecimento da humanidade, do outro, de si próprio.
MESTRADO CIÊNCIA DAS RELIGIÕES - Turma de São Paulo
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO
PROFº. PAULO MENDES PINTO
Aluno: Solon Diniz Cavalcanti
8 de janeiro de 2009
O que significa o estudo das religiões, uma ciência monolítica ou interdisciplinar? É assim que Steffen Dix nomeia o seu ensaio na Revista Lusófona de Ciência das Religiões.
O trabalho do autor é uma tentativa bem sucedida de demonstrar que a religião não traz em seu bojo uma compreensão equivocada, como se fosse um “fenómeno anacrónico ou marginal que já não pode despertar muito interesse no quotidiano ou influenciar a vida pública numa sociedade moderna”, usando o próprio texto de Dix.
Mostra-nos que o reaparecimento de alguns assuntos religiosos nas modernas sociedades européias causou surpresa até mesmo para os defensores da secularização da religião. E como a questão é relevante para os meios de comunicação, o autor sugere dois problemas sobre o conhecimento. Primeiro uma idéia errônea sobre a possibilidade de que partes da humanidade viveram em alguma época um mundo completamente secularizado, como se em alguma época a religião tivesse desaparecido completamente. Em segundo a dificuldade semântica. Como diferenciar um assunto religioso ou sobre uma religião. Conseguir separar a perspectiva interior, confessional, subjetiva, que impede a discussão plural e pública da religião, e mesmo a abordagem científica, da perspectiva exterior.
O objetivo do autor é apresentar a perspectiva exterior da religião. O conhecimento do fenômeno sob uma retórica cientifica, uma abordagem comparativa e histórica dos acontecimentos religiosos.
Logicamente que o autor não pretende em um ensaio esgotar este milenar conhecimento, mas, defender as bases da legitimidade e a importância cognitiva de uma posição imparcial que possibilite comparar sistematicamente as religiões em seus contextos sociais e históricos. O estudo da religião como um produto cultural.
Passeando pela história filosófica, Dix apresenta um rico panorama histórico do estudo das religiões. Começando pelos fundadores da filosofia na chamada Escola Jônica, saltando para o período renascentista onde o elenco consta os nomes dos notáveis pensadores humanistas François Rabelais, Thomas More ou Erasmus de Roterdão, ou nos chamados neo-platónicos tais como Georgios Gemistos Plethon, Marsilio Ficino ou Giovanni Pico della Mirandola, que segundo o autor apresentam um “interesse não-teológico por questões religiosas”.
Revela-nos ainda, que, todavia, o estudo sistemático da religião principia mesmo em “Thomas Hobbes ou em Espinosa, e sobretudo na filosofia iluminista do século XVIII”, embora David Hume tenha sido entre os primeiro a falar sobre a religião fora da teologia, em sua obra Natural History of Religion (1757).
O professor Dix também destaca a importância de Kant que teria dado os pressupostos para uma capacidade racional para pesquisar e questionar a ética ou a moral de uma religião através de métodos racionais.
O ensaio de Steffen Dix adentra o Iluminismo e chega ao século XXI com muita desenvoltura, mostrando a eficiência do conhecimento religioso e a sua importância nos aspectos sociais da humanidade. Mostra a superioridade do culto sobre o mito, a história religiosa da perspectiva exterior sobrepondo-se a perspectiva interior e chama a atenção para a coesão social possibilitada pelo conhecimento religioso.
Em verdadeira apologia da Ciência da Religião, Dix refuta a “fenomenologia da religião” como cientificamente problemática e, Classifica o Estudo da Religião em convicções, práticas ou ritos e a sociedade que corresponde a estas convicções e práticas. Assim, muitas respostas podem ser dadas através do sistema de crenças e simbologias religiosas.
A Ciência da Religião é vista através dos olhos de Dix como uma reflexão eurocêntrica, pois, está relacionada a expansão colonial da Europa e o contato com cultura alheias, em comparação direta ou indireta das culturas de origem. Portanto, não apenas o objeto da pesquisa, mas, quem pesquisa deveriam ser ao mesmo tempo e nível objetos de reflexão.
Dix, em breves páginas, mas, com muita riqueza de citações e exemplos de pensadores brilhantes que ajudam a enriquecer a história da humanidade, demonstra que o conhecimento da religião como acervo cultural antropológico, sociológico, psicológico, histórico, enfim, como parte inerente do homem não pode ser simplesmente ignorado. Porem o que fica claro no texto de Dix é que a Ciência das religiões se propõe a não se imiscuir nos objetos da fé, do que é a verdade no seu aspecto interior, da experiência. O Estudo das Religiões no modelo cientifico busca desvendar o lado humano e social da fé religiosa, e isto “per si” já é suficiente para motivar o leitor a se interessar pelo tema. Mas ultrapassando a questão religiosa, avança como instrumento de clareza da vida, vida que não ignora o fenômeno da religiosidade e o debate através dos diversos mecanismos de comunicação.
As freqüentes mudanças da sociedade acabam por mudar as religiões, e segundo Steffen “O grande desafio contemporâneo da ciência das religiões consiste na reacção adequada a estas mudanças.” E mais, tornar legíveis as atividades ou atos religiosos, e a interação entre os distintos grupos, e tudo isto depende de uma ação interdisciplinar. Para uma sociedade moderna, plural e relativista, uma ciência que seja capaz de explicar a vida através da relação mais permanente entre os homens, a religião.
O ensaio de Steffen Dix é motivador e revolucionário, é iconoclasta para usar um termo do ambiente da Ciência da Religião, e não há como se manter indiferente a tantas possibilidades de conhecimento da humanidade, do outro, de si próprio.
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Resumo Crítico Dix
DIX, Steffen. O que significa o estudo das religiões: uma ciência monolítica ou interdisciplinar? Revista Lusófona de Ciência das Religiões, ano VI, n. 11, 2007, p. 11-31.
Steffen Dix é um pesquisador associado do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Ele escreveu este ensaio sobre o estudo das religiões na Revista Lusófona de Ciência das Religiões.
Neste artigo Dix procura apresentar “uma perspectiva exterior marcada por uma observação comparativa e histórica dos fenômenos religiosos.” (p. 12) Ou seja, a ênfase está sobre a maneira do pesquisador lidar com o objeto de pesquisa. Não está sendo tão considerada a perspectiva interior que tem mais a ver com as questões de fé e crença dos indivíduos, ao mesmo tempo que não são totalmente descartadas.
Desde início a proposta está baseada em um estudo das religiões “marcada por uma observação comparativa e histórica dos fenômenos religiosos” (p. 12). Dix, com a pergunta inicial: uma ciência monolítica ou interdisciplinar? Direciona seus leitores a uma resposta: ciência interdisciplinar.
Ele defende a tese de que o estudo das religiões deve considerar “seus contextos sociais e históricos”, uma vez que as religiões estão envolvidas com os aspectos culturais das sociedades. Desta forma, uma religião não pode ser analisada independentemente “das suas origens culturais”. O que é bastante relevante.
Consequentemente, a perspectiva adotada é a exterior. Dix diferencia esta proposta de observação interdisciplinar do estudo das religiões, da teologia ou das perspectivas interiores, destacando que a principal diferença está baseada no seguinte: as perspectivas interiores estão ligadas as revelações divinas, enquanto que as perspectivas exteriores estão ligadas as construções culturais e humanas. (p. 13).
“Assim, a religião devia ser encarada cientificamente como um produto da cultura humana; e a tarefa da ciência da religião pode ser apenas a descrição e a descoberta dos fenômenos religiosos num determinado contexto cultural. Por outras palavras, a ciência ou o estudo das religiões não pode ter e nem devia tentar ter acesso ao lado sobrenatural da religião, mas sim ao lado humano e social da fé religiosa.” (p. 13).
Algo bem interessante abordado neste ensaio de Steffen Dix é o panorama histórico do estudo das religiões. É destacado que com Kant praticamente surgiu “a capacidade e a necessidade de examinar a religião com os meios da razão filosófica, ou seja, através de métodos racionais”. (p. 15).
Porém, as pesquisas com Kant e outros filósofos de sua época e anos seguintes, estavam praticamente voltadas para o cristianismo. Apenas mais tarde com as primeiras traduções do orientalista francês Abraham Hyacinthe Anquetil-Duperron, de livros e comentários sobre a teologia, ritos e cerimônias religiosas, especialmente do Zoroastrismo, a partir de 1771, as pesquisas sobre religião se voltaram também para o oriente. Outro nome que contribuiu para este avanço para o oriente foi o de Friedrich Max Muller.
Com este interesse pelas religiões orientais e não mais apenas pelo cristianismo, a partir do século XIX, começaram a surgir “os primeiros estudos sistemáticos e comparativos das religiões” (p. 16) e através de Friedrich Max Muller e Edward Burnett Tylor a religião se tornou assunto de pesquisa científica dentro das universidades (p. 17), e com o passar do tempo, cada vez mais trabalhos foram surgindo sobre a religião. Entre alguns, podemos citar os seguintes teóricos: Max Weber, Émile Durkheim, Sigmund Freud, Aby Warburg, Nathan Söderblom, Rudolf Otto e Marcel Mauss.
O que aconteceu também, com o avanço das pesquisas sobre religião, foi a multiplicação de perspectivas teóricas, já evidenciando que o estudo sobre religiões não é uma ciência monolítica. Como exemplo, podemos citar a perspectiva funcionalista de Émile Durkheim. Nesta teoria a religião é vista como um elemento sociológico, e sociologicamente, “a religião possui as funções de aprofundar valores essenciais que são válidos para indivíduos, grupos ou sociedades; de integrar indivíduos numa sociedade através de valores comuns; e, finalmente, de recompensar pelos sofrimentos ou pela falta de prestígio dentro da sociedade” (p. 19).
A partir da segunda metade do século XX, com a contribuição do antropólogo Clifford Geertz, novos aspectos passaram a ser considerados no estudo das religiões. Uma tendência de padronização a partir do ponto de vista europeu foi reconhecida, principalmente pelo entendimento que nas culturas não-européias o conceito referente à palavra “religião” não existe. Sendo assim, Budismo ou Hinduísmo “se tornaram religiões universais apenas a partir de um ponto de vista europeu.” (p. 20). Então, como se definir “religião”?
Sob o tópico “‘Religião’ – definição ou discurso?” Steffen Dix faz algumas considerações sobre a definição da religião como ciência.
Toda ciência precisa definir seu objeto de estudo. Na ciência das religiões há uma dificuldade a este respeito. Dix diz que há uma tendência contemporânea de se “evitar qualquer esforço para definir o objeto da pesquisa” da ciência das religiões (p. 21). Ele continua dizendo que “muitos estudiosos recusam, hoje em dia, qualquer declaração descritiva sobre o termo ‘religião’” (p. 21), discordando de James H. Leuba, que em 1912 enumerou mais de 50 definições da religião.
É possível que uma das razões desta dificuldade seja a questão da perspectiva interior a respeito da religião da parte do próprio investigador. O pesquisador não se mantém neutro neste tipo de pesquisa, ou seja, não é possível isolar o objeto de estudo das pressuposições da parte do pesquisador.
Para tentar superar esta barreira, Dix propõe que o “estudioso das religiões reflita continuamente a sua própria perspectiva, sobre a sua própria posição ou o seu próprio ponto de visa” e também que pondere a respeito “dos meios de análise científica”, para que consiga mais objetividade no processo de investigação, reconhecendo assim que “o resultado da pesquisa reflete também a posição mental, social e cultural do investigador.” (p. 22). Ou seja, há um reconhecimento das dificuldades de se definir o objeto de estudo da ciência das religiões, mas existe o incentivo para que os estudos sejam realizados e não abandonados.
Segundo Dix, este estudo deve considerar uma reflexão sobre o objeto de análise científica, a forma como a investigação será conduzida e sem dúvida alguma, o contexto histórico, cultural e lingüístico, uma vez que cada religião é um produto histórico e cultural. Todos estes elementos devem ser tratados numa constante “interação dialética entre a crença e a ciência” (p. 22). Isto nos leva a uma compreensão de que o estudo das religiões deve ser uma ciência interdisciplinar e não monolítica.
Steffen Dix cita algumas vezes a expressão “tempos modernos” (p. 23), mas na verdade, podemos entender esta expressão como “pós-modernidade”. E uma das características da pós-modernidade é a relatividade e o desaparecimento de absolutos. Dentro deste contexto, uma ciência com dificuldades de definir seu objeto de estudo e sua metodologia se adéqua perfeitamente, porém devemos admitir que um livro sagrado que se propõe a ensinar a verdade, um livro sagrado que proclama ensinamentos de um homem que se identificava como ser divino e mestre da verdade, não pode ser levado tão a sério caso genuinamente não seja a verdade. Portanto, apesar do “desaparecimento da forma singular da palavra verdade”, a Bíblia, livro sagrado do cristianismo, por exemplo, defende ser um livro inspirado divinamente a apresenta Jesus Cristo como a verdade, logo, o que difere da mensagem bíblica não pode ser entendido como outra verdade. Isto deixa claro como perspectiva interna se aproxima muito da perspectiva externa. Fica evidente que a separação da perspectiva interna da externa não é uma tarefa tão simples.
Podemos entender perfeitamente, que um estudo das religiões deve considerar todas as religiões em seus devidos contextos culturais e históricos e para que este estudo seja possível, será extremamente necessária a interdisciplinariedade. “Isso significa que a ciência das religiões aproveita métodos ou teorias de várias outras disciplinas, tais como a história, a sociologia, a psicologia, a etnologia, a geografia, a economia ou a estética das religiões. (p. 24). Esta é a tese principal deste artigo de Steffen Dix: “a ciência da religião precisa de interação com outras disciplinas”. (p. 25).
Sendo assim, além das reflexões do observador a respeito do objeto de estudo e da metodologia a ser empregada, é necessário conhecimentos de outras disciplinas para uma pesquisa que vise bons resultados. Por isso o estudante das religiões deve interagir com outras áreas do conhecimento, tais como: história, filologia, geografia, etc.
O pensamento final do ensaio de Dix, leva o leitor a compreender que apesar do avanço da secularização e da pós-modernidade, especialmente na Europa ocidental, o estudo das religiões ainda é uma necessidade relevante. Ou seja, apesar de alguns setores do mundo acadêmico não olharem com boa perspectiva o estudo das questões religiosas, até mesmo com desprezo, basta considerarmos a presença da religião nos diversos setores da sociedade. Fala-se e ouve-se falar de religião nos mais variados lugares e mídias. São livros, músicas, debates formais e informais, cosmovisões culturais, etc., que abordam a religiosidade dos povos.
Além do mais, religião é assunto presente em várias sociedades e culturas do mundo, mesmo com as críticas dos ditos acadêmicos/intelectuais ou dos defensores de “sociedades modernas”. Não é um assunto de moda ou assunto temporário. Religião se faz presente através da história da humanidade e conheceremos melhor o mundo no qual estamos inseridos se compreendermos melhor as questões da religião.
Dix então termina seu artigo defendendo o estudo das religiões, mesmo nos tempos atuais, nos quais predominam idéias da pós-modernidade, dizendo que a ciência das religiões tem o desafio de tentar “tornar legíveis as atividades ou os atos religiosos... através de um ponto de vista interdisciplinar”. (p. 27). Outro desafio destacado é o de se estudar as religiões dentro de uma esfera de diálogo, uma vez que a pluralidade é uma característica marcante dos tempos atuais.
Steffen Dix é um pesquisador associado do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Ele escreveu este ensaio sobre o estudo das religiões na Revista Lusófona de Ciência das Religiões.
Neste artigo Dix procura apresentar “uma perspectiva exterior marcada por uma observação comparativa e histórica dos fenômenos religiosos.” (p. 12) Ou seja, a ênfase está sobre a maneira do pesquisador lidar com o objeto de pesquisa. Não está sendo tão considerada a perspectiva interior que tem mais a ver com as questões de fé e crença dos indivíduos, ao mesmo tempo que não são totalmente descartadas.
Desde início a proposta está baseada em um estudo das religiões “marcada por uma observação comparativa e histórica dos fenômenos religiosos” (p. 12). Dix, com a pergunta inicial: uma ciência monolítica ou interdisciplinar? Direciona seus leitores a uma resposta: ciência interdisciplinar.
Ele defende a tese de que o estudo das religiões deve considerar “seus contextos sociais e históricos”, uma vez que as religiões estão envolvidas com os aspectos culturais das sociedades. Desta forma, uma religião não pode ser analisada independentemente “das suas origens culturais”. O que é bastante relevante.
Consequentemente, a perspectiva adotada é a exterior. Dix diferencia esta proposta de observação interdisciplinar do estudo das religiões, da teologia ou das perspectivas interiores, destacando que a principal diferença está baseada no seguinte: as perspectivas interiores estão ligadas as revelações divinas, enquanto que as perspectivas exteriores estão ligadas as construções culturais e humanas. (p. 13).
“Assim, a religião devia ser encarada cientificamente como um produto da cultura humana; e a tarefa da ciência da religião pode ser apenas a descrição e a descoberta dos fenômenos religiosos num determinado contexto cultural. Por outras palavras, a ciência ou o estudo das religiões não pode ter e nem devia tentar ter acesso ao lado sobrenatural da religião, mas sim ao lado humano e social da fé religiosa.” (p. 13).
Algo bem interessante abordado neste ensaio de Steffen Dix é o panorama histórico do estudo das religiões. É destacado que com Kant praticamente surgiu “a capacidade e a necessidade de examinar a religião com os meios da razão filosófica, ou seja, através de métodos racionais”. (p. 15).
Porém, as pesquisas com Kant e outros filósofos de sua época e anos seguintes, estavam praticamente voltadas para o cristianismo. Apenas mais tarde com as primeiras traduções do orientalista francês Abraham Hyacinthe Anquetil-Duperron, de livros e comentários sobre a teologia, ritos e cerimônias religiosas, especialmente do Zoroastrismo, a partir de 1771, as pesquisas sobre religião se voltaram também para o oriente. Outro nome que contribuiu para este avanço para o oriente foi o de Friedrich Max Muller.
Com este interesse pelas religiões orientais e não mais apenas pelo cristianismo, a partir do século XIX, começaram a surgir “os primeiros estudos sistemáticos e comparativos das religiões” (p. 16) e através de Friedrich Max Muller e Edward Burnett Tylor a religião se tornou assunto de pesquisa científica dentro das universidades (p. 17), e com o passar do tempo, cada vez mais trabalhos foram surgindo sobre a religião. Entre alguns, podemos citar os seguintes teóricos: Max Weber, Émile Durkheim, Sigmund Freud, Aby Warburg, Nathan Söderblom, Rudolf Otto e Marcel Mauss.
O que aconteceu também, com o avanço das pesquisas sobre religião, foi a multiplicação de perspectivas teóricas, já evidenciando que o estudo sobre religiões não é uma ciência monolítica. Como exemplo, podemos citar a perspectiva funcionalista de Émile Durkheim. Nesta teoria a religião é vista como um elemento sociológico, e sociologicamente, “a religião possui as funções de aprofundar valores essenciais que são válidos para indivíduos, grupos ou sociedades; de integrar indivíduos numa sociedade através de valores comuns; e, finalmente, de recompensar pelos sofrimentos ou pela falta de prestígio dentro da sociedade” (p. 19).
A partir da segunda metade do século XX, com a contribuição do antropólogo Clifford Geertz, novos aspectos passaram a ser considerados no estudo das religiões. Uma tendência de padronização a partir do ponto de vista europeu foi reconhecida, principalmente pelo entendimento que nas culturas não-européias o conceito referente à palavra “religião” não existe. Sendo assim, Budismo ou Hinduísmo “se tornaram religiões universais apenas a partir de um ponto de vista europeu.” (p. 20). Então, como se definir “religião”?
Sob o tópico “‘Religião’ – definição ou discurso?” Steffen Dix faz algumas considerações sobre a definição da religião como ciência.
Toda ciência precisa definir seu objeto de estudo. Na ciência das religiões há uma dificuldade a este respeito. Dix diz que há uma tendência contemporânea de se “evitar qualquer esforço para definir o objeto da pesquisa” da ciência das religiões (p. 21). Ele continua dizendo que “muitos estudiosos recusam, hoje em dia, qualquer declaração descritiva sobre o termo ‘religião’” (p. 21), discordando de James H. Leuba, que em 1912 enumerou mais de 50 definições da religião.
É possível que uma das razões desta dificuldade seja a questão da perspectiva interior a respeito da religião da parte do próprio investigador. O pesquisador não se mantém neutro neste tipo de pesquisa, ou seja, não é possível isolar o objeto de estudo das pressuposições da parte do pesquisador.
Para tentar superar esta barreira, Dix propõe que o “estudioso das religiões reflita continuamente a sua própria perspectiva, sobre a sua própria posição ou o seu próprio ponto de visa” e também que pondere a respeito “dos meios de análise científica”, para que consiga mais objetividade no processo de investigação, reconhecendo assim que “o resultado da pesquisa reflete também a posição mental, social e cultural do investigador.” (p. 22). Ou seja, há um reconhecimento das dificuldades de se definir o objeto de estudo da ciência das religiões, mas existe o incentivo para que os estudos sejam realizados e não abandonados.
Segundo Dix, este estudo deve considerar uma reflexão sobre o objeto de análise científica, a forma como a investigação será conduzida e sem dúvida alguma, o contexto histórico, cultural e lingüístico, uma vez que cada religião é um produto histórico e cultural. Todos estes elementos devem ser tratados numa constante “interação dialética entre a crença e a ciência” (p. 22). Isto nos leva a uma compreensão de que o estudo das religiões deve ser uma ciência interdisciplinar e não monolítica.
Steffen Dix cita algumas vezes a expressão “tempos modernos” (p. 23), mas na verdade, podemos entender esta expressão como “pós-modernidade”. E uma das características da pós-modernidade é a relatividade e o desaparecimento de absolutos. Dentro deste contexto, uma ciência com dificuldades de definir seu objeto de estudo e sua metodologia se adéqua perfeitamente, porém devemos admitir que um livro sagrado que se propõe a ensinar a verdade, um livro sagrado que proclama ensinamentos de um homem que se identificava como ser divino e mestre da verdade, não pode ser levado tão a sério caso genuinamente não seja a verdade. Portanto, apesar do “desaparecimento da forma singular da palavra verdade”, a Bíblia, livro sagrado do cristianismo, por exemplo, defende ser um livro inspirado divinamente a apresenta Jesus Cristo como a verdade, logo, o que difere da mensagem bíblica não pode ser entendido como outra verdade. Isto deixa claro como perspectiva interna se aproxima muito da perspectiva externa. Fica evidente que a separação da perspectiva interna da externa não é uma tarefa tão simples.
Podemos entender perfeitamente, que um estudo das religiões deve considerar todas as religiões em seus devidos contextos culturais e históricos e para que este estudo seja possível, será extremamente necessária a interdisciplinariedade. “Isso significa que a ciência das religiões aproveita métodos ou teorias de várias outras disciplinas, tais como a história, a sociologia, a psicologia, a etnologia, a geografia, a economia ou a estética das religiões. (p. 24). Esta é a tese principal deste artigo de Steffen Dix: “a ciência da religião precisa de interação com outras disciplinas”. (p. 25).
Sendo assim, além das reflexões do observador a respeito do objeto de estudo e da metodologia a ser empregada, é necessário conhecimentos de outras disciplinas para uma pesquisa que vise bons resultados. Por isso o estudante das religiões deve interagir com outras áreas do conhecimento, tais como: história, filologia, geografia, etc.
O pensamento final do ensaio de Dix, leva o leitor a compreender que apesar do avanço da secularização e da pós-modernidade, especialmente na Europa ocidental, o estudo das religiões ainda é uma necessidade relevante. Ou seja, apesar de alguns setores do mundo acadêmico não olharem com boa perspectiva o estudo das questões religiosas, até mesmo com desprezo, basta considerarmos a presença da religião nos diversos setores da sociedade. Fala-se e ouve-se falar de religião nos mais variados lugares e mídias. São livros, músicas, debates formais e informais, cosmovisões culturais, etc., que abordam a religiosidade dos povos.
Além do mais, religião é assunto presente em várias sociedades e culturas do mundo, mesmo com as críticas dos ditos acadêmicos/intelectuais ou dos defensores de “sociedades modernas”. Não é um assunto de moda ou assunto temporário. Religião se faz presente através da história da humanidade e conheceremos melhor o mundo no qual estamos inseridos se compreendermos melhor as questões da religião.
Dix então termina seu artigo defendendo o estudo das religiões, mesmo nos tempos atuais, nos quais predominam idéias da pós-modernidade, dizendo que a ciência das religiões tem o desafio de tentar “tornar legíveis as atividades ou os atos religiosos... através de um ponto de vista interdisciplinar”. (p. 27). Outro desafio destacado é o de se estudar as religiões dentro de uma esfera de diálogo, uma vez que a pluralidade é uma característica marcante dos tempos atuais.
Fernando_adonai- Mensagens: 1
Data de inscrição: 01/02/2009
Re: São Paulo - Mestrado: Metodologia do Trabalho Científico
Ao explicitar sobre cada uma das várias disciplinas de que a ciência das religiões empresta o método, o Professor Dix mostra com enorme clareza a importância da história das religiões, da sociologia das religiões, da psicologia das religiões, entre outras. Correto se torna, portanto, referir-se à etnografia das religiões e não à etnografia da religião, em razão da impossibilidade científica de definir-se a religião.
Esse panorama expõe a necessidade de se pensar uma metodologia que possa criar uma interação entre as várias disciplinas de que a ciência das religiões empresta o método. Flood propôs uma interpenetration de várias formas de estudo dos fenómenos religiosos. Para a compreensão correta de um texto religioso, exigem-se, além de capacidade linguistica, conhecimentos históricos, antropológicos ou sociológicos.
Realmente a filosofias vão morrendo enquanto Jesus Cristo está cada vez mais vivo em nossos corações, aleluias, glórias a Deus...
Esse panorama expõe a necessidade de se pensar uma metodologia que possa criar uma interação entre as várias disciplinas de que a ciência das religiões empresta o método. Flood propôs uma interpenetration de várias formas de estudo dos fenómenos religiosos. Para a compreensão correta de um texto religioso, exigem-se, além de capacidade linguistica, conhecimentos históricos, antropológicos ou sociológicos.
Realmente a filosofias vão morrendo enquanto Jesus Cristo está cada vez mais vivo em nossos corações, aleluias, glórias a Deus...
gerson lima- Mensagens: 3
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Idade: 51

Frank Usarski (Constituintes da Ciência da Religião)
A obra reúne uma série de ensaios do professor Usarski, cujo fio condutor assenta-se na afirmação da autonomia de uma Ciência da Religião que, justamente em virtude de tal prerrogativa, pode apresentar-se em todo o seu potencial de crítica às ideologias imperantes na sociedade e nas corporações religiosas.
São cinco ensaios publicados entre 2001 e 2005, dois como capítulos em antologias e os demais como artigos em periódicos. Cada texto representa um raciocínio coeso sobre determinado aspecto da complexa problemática da constituição e do status institucional da Ciência da Religião.
O primeiro ensaio, O caminho da institucionalização da Ciência da Religião - Reflexões sobre a fase formativa da disciplina, recupera algumas das etapas do processo de diferenciação no decorrer do qual o estudo das religiões adquiriu hoje perfil "sistêmico".
No capítulo subsequente, Os enganos sobre o sagrado - Uma síntese da crítica ao ramo "clássico" da fenomenologia da religião e seus conceitos-chave, procura-se demonstrar que a fixação de um "horizonte exterior" é uma necessidade, na definição de um sistema que mereça o nome de ciência.
Já o terceiro texto, O perfil paradigmático da Ciência da Religião na Alemanha, faz referência ao conceito de paradigma de Kuhn e mostra que a Ciência da Religião se justifica como matéria universitária autônoma pela existência de um paradigma seguido pelos pesquisadores da área, o qual é comandado por um conjunto de axiomas consensuais e de métodos coletivamente aceitos como "válidos" .
Para encerrar são abordadas duas dinâmicas simultaneamente geradas pela diferenciação entre a Ciência da Religião e seu ambiente exterior: como a Ciência da Religião deve tratar os "impulsos" que recebe de "fora" e quais as contribuições que traz para seu ambiente? Em Descendo a torre de marfim - O impacto do discurso público sobre "seitas" na Ciência da Religião na Alemanha fala-se dos processos de input e, em O potencial da Ciência da Religião de criticar ideologias - Um esboço sistemático, das conseqüências do output.
São cinco ensaios publicados entre 2001 e 2005, dois como capítulos em antologias e os demais como artigos em periódicos. Cada texto representa um raciocínio coeso sobre determinado aspecto da complexa problemática da constituição e do status institucional da Ciência da Religião.
O primeiro ensaio, O caminho da institucionalização da Ciência da Religião - Reflexões sobre a fase formativa da disciplina, recupera algumas das etapas do processo de diferenciação no decorrer do qual o estudo das religiões adquiriu hoje perfil "sistêmico".
No capítulo subsequente, Os enganos sobre o sagrado - Uma síntese da crítica ao ramo "clássico" da fenomenologia da religião e seus conceitos-chave, procura-se demonstrar que a fixação de um "horizonte exterior" é uma necessidade, na definição de um sistema que mereça o nome de ciência.
Já o terceiro texto, O perfil paradigmático da Ciência da Religião na Alemanha, faz referência ao conceito de paradigma de Kuhn e mostra que a Ciência da Religião se justifica como matéria universitária autônoma pela existência de um paradigma seguido pelos pesquisadores da área, o qual é comandado por um conjunto de axiomas consensuais e de métodos coletivamente aceitos como "válidos" .
Para encerrar são abordadas duas dinâmicas simultaneamente geradas pela diferenciação entre a Ciência da Religião e seu ambiente exterior: como a Ciência da Religião deve tratar os "impulsos" que recebe de "fora" e quais as contribuições que traz para seu ambiente? Em Descendo a torre de marfim - O impacto do discurso público sobre "seitas" na Ciência da Religião na Alemanha fala-se dos processos de input e, em O potencial da Ciência da Religião de criticar ideologias - Um esboço sistemático, das conseqüências do output.
gerson lima- Mensagens: 3
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RESENHA
DIX, Steffen. O que significa o estudo das religiões: uma ciência monolítica ou interdisciplinar? Revista Lusófona de Ciência das Religiões, ano VI, n. 11, 2007, p. 11-31.
Fabio Cano
Steffen Dix expõe a fraqueza do argumento de que a religião no período moderno tornou-se assunto marginalizado a ponto de desaparecer-se. O conceito secularização tão orgulhosamente apresentado por alguns da sociedade contemporânea, principalmente na Europa, não dilui a necessidade de se priorizar um fenômeno que jamais vai deixar de estar integrado às questões históricas e sociais: o fenômeno religioso. Além do mais “não há sociedades puramente modernas; todas as sociedades representam uma mistura diferente entre modernidade e tradição.” Apesar da expressão religiosa no contexto europeu atual ser tímida, isso não implica na descontinuidade de seu fenômeno e sim de suas manifestações. Dix propõe que “na esfera humana, a religião nunca desapareceu”. Isto se dá porque religião não é só produto de uma sociedade, mas lida com questões interiores, ao pensamento religioso de qualquer indivíduo, à questão de fé, mesmo em ambientes onde tais expressões são menosprezadas.
A religião, em sua definição mais abrangente, traz consigo convicções que contem elementos que não podem ser apurados cientificamente. Por isso, Dix dedica um enorme esforço para sistematizar um estudo das religiões sem com isso infringir àquilo que pertence à perspectiva interior da religião; isto é, sem tentar ter acesso ao lado sobrenatural da religião, e sim ao lado humano, e social da fé religiosa. A proposta do autor se baseia em um estudo das religiões numa perspectiva exterior “marcada por uma observação comparativa e histórica dos fenômenos religiosos.” O autor aponta que “a ciência das religiões apenas pode funcionar como um fórum onde se cruzam, discursivamente, várias disciplinas ou diferentes perspectivas teóricas, tendo o mesmo objetivo da pesquisa.” O pesquisador deve lidar com seu estudo das religiões de modo interdisciplinar (assim respondendo ao título), interagindo com outras disciplinas, tais como “a história, a sociologia, a psicologia, a etnologia, a geografia, a economia ou a estética das religiões”. Em reforço a essa proposta, o autor cita Kant como o precursor a sugerir o estudo da religião em uma perspectiva exterior. “A religião é compreendida mais como uma construção cultural e humana do que uma revelação divina.”
Entretanto, o caminho para se estabelecer um método de estudo das religiões não parece ser tarefa tão fácil. Outra dificuldade que soma para se definir o objeto de estudo da ciência das religiões reside no fato de que o pesquisador não tem como se neutralizar de sua perspectiva interior ante a uma dada religião. “O resultado da pesquisa reflete também a posição mental, social e cultural do investigador.” Apesar dessa tensão (a dificuldade de separação entre a perspectiva interna do próprio investigador e a externa da religião), a ciência das religiões ainda é uma necessidade relevante uma vez que ela sempre acompanhou a história da humanidade e interage com a cultura. Apesar de nem sempre ser claro, o pesquisador deve se esforçar em estabelecer as diferenças bem como as similaridades entre o fenômeno e o conceito da religião, ou seja, entre a crença e a ciência de uma religião. Assim, “o estudo das religiões exige, para além da distância e da auto-reflexão do observador, um equilíbrio entre conhecimentos históricos/lingüísticos e trabalhos sociológicos/antropológicos...” O desafio de sistematizar o estudo da religião permanece.
Dix traça um panorama dos principais contribuintes ao estudo da religião ao longo da história. Ele cita David Hume que critica a fundação divina da religião argumentando que os primeiros conceitos religiosos nasceram, não de uma fonte divina, mas dentro das preocupações e medos perante a vida cotidiana. “A religião se baseia numa certa fraqueza irracional e na tendência do homem em acreditar em poderes ‘inteligentes’ e ‘sobrenaturais’”. Contrapondo este pensamento, o autor volta a mencionar Kant que “reconhece que a moral humana não pode existir sem a fé na liberdade, a imortalidade da alma ou Deus.” “Isso significa concretamente que a religião segue leis morais que já existiam antes da mesma,” conforme afirma Dix.
No século 18, com o advento das capacidades lingüísticas, pesquisas começaram a usufruir de traduções de livros de religiões orientais até então desconhecidas. Friedrich Max Müller apontou neste cenário, cem anos depois, com uma coleção dos mais importantes manuscritos religiosos do Oriente. Ele tentou reforçar um estudo comparativo entre a religião e a mitologia com o objetivo de criar uma disciplina independente. Apesar de Müller utilizar de um método de classificação das religiões considerada hoje como cientificamente ultrapassada (separação das religiões através das famílias lingüísticas), “é possível dizer que o paralelismo desta viragem do ponto de vista filosófico perante a religião e as primeiras decifrações de textos religiosos não-cristãos estabeleceu uma base fértil, a partir da qual começaram, no século 19, os primeiros estudos sistemáticos e comparativos das religiões.”
Dentre outros escritores, William Robertson Smith recebe destaque por sublinhar uma relação entre sociedade e religião. “As religiões antigas são em geral compostas por tradições e instituições e não tanto por crenças.” A partir de Smith, a religião tornou-se fonte importante para o conhecimento das estruturas sociais. Dix ainda cita muitos outros escritores com propósito maior de demonstrar que o estudo das religiões percorreu ao longo da história sobre um terreno fértil e relevante, entretanto, irregular e vago o suficiente para resultar numa tentativa cientificamente problemática; isto é, a falta de métodos empíricos.
Compreendo a preocupação de Dix em estabelecer um método sólido, imparcial e de sincronia histórico-cultural ao estudo das religiões, porém, uma abordagem que se apóia apenas às perspectivas exteriores do objeto de estudo é limitada a obter um resultado mais promissor, pois religião não é apenas “produto da cultura humana”, mas também tem origem na revelação divina. Ainda assim, concordo que os benefícios do método proposto por Dix pode ser muito relevante e peculiar por se posicionar de maneira imparcial, sistemática e integrada a diversas outras disciplinas, características estas que outras metodologias de estudo relacionadas à religião (como, por exemplo, a teologia) não tem como finalidade principal. Entretanto, apesar de proveitoso o resultado é limitado, uma vez que o objeto de estudo em questão (i.e.: a religião) apela a uma origem transcendental. Ou seja, por mais que o investigador encontre interação entre religião e cultura (e assim utilizando de outras disciplinas), em determinados momentos ele ficará à deriva ou optará por uma análise mais superficial (uma análise apenas descritiva ou discursiva), por o objeto de estudo ter como priori não a cultura em si e sim a fé. Cabe avaliar que muitas das vezes não é a cultura que transforma a fé, mas exatamente o oposto.
Fabio Cano
Steffen Dix expõe a fraqueza do argumento de que a religião no período moderno tornou-se assunto marginalizado a ponto de desaparecer-se. O conceito secularização tão orgulhosamente apresentado por alguns da sociedade contemporânea, principalmente na Europa, não dilui a necessidade de se priorizar um fenômeno que jamais vai deixar de estar integrado às questões históricas e sociais: o fenômeno religioso. Além do mais “não há sociedades puramente modernas; todas as sociedades representam uma mistura diferente entre modernidade e tradição.” Apesar da expressão religiosa no contexto europeu atual ser tímida, isso não implica na descontinuidade de seu fenômeno e sim de suas manifestações. Dix propõe que “na esfera humana, a religião nunca desapareceu”. Isto se dá porque religião não é só produto de uma sociedade, mas lida com questões interiores, ao pensamento religioso de qualquer indivíduo, à questão de fé, mesmo em ambientes onde tais expressões são menosprezadas.
A religião, em sua definição mais abrangente, traz consigo convicções que contem elementos que não podem ser apurados cientificamente. Por isso, Dix dedica um enorme esforço para sistematizar um estudo das religiões sem com isso infringir àquilo que pertence à perspectiva interior da religião; isto é, sem tentar ter acesso ao lado sobrenatural da religião, e sim ao lado humano, e social da fé religiosa. A proposta do autor se baseia em um estudo das religiões numa perspectiva exterior “marcada por uma observação comparativa e histórica dos fenômenos religiosos.” O autor aponta que “a ciência das religiões apenas pode funcionar como um fórum onde se cruzam, discursivamente, várias disciplinas ou diferentes perspectivas teóricas, tendo o mesmo objetivo da pesquisa.” O pesquisador deve lidar com seu estudo das religiões de modo interdisciplinar (assim respondendo ao título), interagindo com outras disciplinas, tais como “a história, a sociologia, a psicologia, a etnologia, a geografia, a economia ou a estética das religiões”. Em reforço a essa proposta, o autor cita Kant como o precursor a sugerir o estudo da religião em uma perspectiva exterior. “A religião é compreendida mais como uma construção cultural e humana do que uma revelação divina.”
Entretanto, o caminho para se estabelecer um método de estudo das religiões não parece ser tarefa tão fácil. Outra dificuldade que soma para se definir o objeto de estudo da ciência das religiões reside no fato de que o pesquisador não tem como se neutralizar de sua perspectiva interior ante a uma dada religião. “O resultado da pesquisa reflete também a posição mental, social e cultural do investigador.” Apesar dessa tensão (a dificuldade de separação entre a perspectiva interna do próprio investigador e a externa da religião), a ciência das religiões ainda é uma necessidade relevante uma vez que ela sempre acompanhou a história da humanidade e interage com a cultura. Apesar de nem sempre ser claro, o pesquisador deve se esforçar em estabelecer as diferenças bem como as similaridades entre o fenômeno e o conceito da religião, ou seja, entre a crença e a ciência de uma religião. Assim, “o estudo das religiões exige, para além da distância e da auto-reflexão do observador, um equilíbrio entre conhecimentos históricos/lingüísticos e trabalhos sociológicos/antropológicos...” O desafio de sistematizar o estudo da religião permanece.
Dix traça um panorama dos principais contribuintes ao estudo da religião ao longo da história. Ele cita David Hume que critica a fundação divina da religião argumentando que os primeiros conceitos religiosos nasceram, não de uma fonte divina, mas dentro das preocupações e medos perante a vida cotidiana. “A religião se baseia numa certa fraqueza irracional e na tendência do homem em acreditar em poderes ‘inteligentes’ e ‘sobrenaturais’”. Contrapondo este pensamento, o autor volta a mencionar Kant que “reconhece que a moral humana não pode existir sem a fé na liberdade, a imortalidade da alma ou Deus.” “Isso significa concretamente que a religião segue leis morais que já existiam antes da mesma,” conforme afirma Dix.
No século 18, com o advento das capacidades lingüísticas, pesquisas começaram a usufruir de traduções de livros de religiões orientais até então desconhecidas. Friedrich Max Müller apontou neste cenário, cem anos depois, com uma coleção dos mais importantes manuscritos religiosos do Oriente. Ele tentou reforçar um estudo comparativo entre a religião e a mitologia com o objetivo de criar uma disciplina independente. Apesar de Müller utilizar de um método de classificação das religiões considerada hoje como cientificamente ultrapassada (separação das religiões através das famílias lingüísticas), “é possível dizer que o paralelismo desta viragem do ponto de vista filosófico perante a religião e as primeiras decifrações de textos religiosos não-cristãos estabeleceu uma base fértil, a partir da qual começaram, no século 19, os primeiros estudos sistemáticos e comparativos das religiões.”
Dentre outros escritores, William Robertson Smith recebe destaque por sublinhar uma relação entre sociedade e religião. “As religiões antigas são em geral compostas por tradições e instituições e não tanto por crenças.” A partir de Smith, a religião tornou-se fonte importante para o conhecimento das estruturas sociais. Dix ainda cita muitos outros escritores com propósito maior de demonstrar que o estudo das religiões percorreu ao longo da história sobre um terreno fértil e relevante, entretanto, irregular e vago o suficiente para resultar numa tentativa cientificamente problemática; isto é, a falta de métodos empíricos.
Compreendo a preocupação de Dix em estabelecer um método sólido, imparcial e de sincronia histórico-cultural ao estudo das religiões, porém, uma abordagem que se apóia apenas às perspectivas exteriores do objeto de estudo é limitada a obter um resultado mais promissor, pois religião não é apenas “produto da cultura humana”, mas também tem origem na revelação divina. Ainda assim, concordo que os benefícios do método proposto por Dix pode ser muito relevante e peculiar por se posicionar de maneira imparcial, sistemática e integrada a diversas outras disciplinas, características estas que outras metodologias de estudo relacionadas à religião (como, por exemplo, a teologia) não tem como finalidade principal. Entretanto, apesar de proveitoso o resultado é limitado, uma vez que o objeto de estudo em questão (i.e.: a religião) apela a uma origem transcendental. Ou seja, por mais que o investigador encontre interação entre religião e cultura (e assim utilizando de outras disciplinas), em determinados momentos ele ficará à deriva ou optará por uma análise mais superficial (uma análise apenas descritiva ou discursiva), por o objeto de estudo ter como priori não a cultura em si e sim a fé. Cabe avaliar que muitas das vezes não é a cultura que transforma a fé, mas exatamente o oposto.

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